Z+Mag

Entrevistas para o Z+Mag!

Ao que parece, finalmente a moda plus size está tomando o seu lugar de direito no mercado e na mídia. Nós da Zuya fomos atrás de profissionais de diferentes áreas da moda plus size para falar sobre o assunto, o resultado foi a entrevista a seguir.

Adriana Libini, fotórgrafa mais conhecida do segmento plus size, Glenda Cardoso, Editora do blog Curvilíneos, e Laryssa Zimmermann, estilista e new face plus size, falam sobre suas percepções sobre o mercado plus size, suas experiiencia pessoais, e suas visões para este mercado nos próximos anos.

Zuya: Nos últimos meses a presença de modelos plus size em eventos de moda internacionais, campanhas, editoriais e até em mídias voltadas para o público masculino, tem aumentado, o que você acha dessa recente visibilidade? Gelnda: Eu acho que é uma tendência natural do mercado. Depois de tantos anos de descaso, finalmente começaram a despertar para esse nicho que tem movimentado bilhões de reais. Toda essa visibilidade tem sido excelente para sempre pôr em discussão questões que outrora ninguém tinha coragem de tocar. Ao longo dos anos, as mulheres gordas foram ignoradas: simplesmente não tinha roupa que lhes coubessem na maioria das lojas. E isso tem mudado. Mas também acho que essa é uma via de mão dupla. Ao passo que é importante essa exposição de mulheres curvilíneas na mídia, também vem acontecendo a mesma coisificação que existe com as mulheres magras e considero isso ruim. Independente de tamanho de manequim, somos muito mais do que aquilo que aparentamos ser. Me interesso muito pela questão psicológica que envolve o tema, e leio muito a respeito. Existe um estudo, da Dra. Renee Engeln, que é psicóloga e também diretora do The Body and Media Lab da Universidade Northwestern que indica que por sermos bombardeados por imagens de mulheres magras na mídia, somos influenciados pela “internalização do ideal magro”, ou seja, quanto mais expostos formos a esse tipo de imagem, mais aceitamos que a magreza é sinônimo da beleza. Então eu penso que, se a beleza plus size for exposta de forma contínua, bonita e profissional, o resultado será muito positivo e contribuíra efetivamente na questão da auto estima, auto aceitação das formas e consecutivamente no crescimento do mercado. Precisamos mostrar às mulheres, constantemente, que não existe corpo ideal e não é preciso se encaixar em um padrão para sermos felizes, bonitas e sensuais.

Zuya: Como fotografa você acompanha não só as publicações de moda plus size como muitas revistas de moda nacionais e internacionais, você acha que a mídia “tradicional” está mais receptiva as modelos e a moda plus size? Adriana: O mercado plus size está crescendo e esse é um fato que não dá para ser ignorado. Isso contribui, sim, para que a mídia se torne mais receptiva à moda que, durante muito tempo, foi de certa forma ignorada. Hoje, tanto as pessoas como a mídia estão aceitando melhor as modelos mais gordinhas, e isso pode ser visto em grandes portais que já fazem a cobertura de eventos de moda plus size. Infelizmente, a visibilidade que a moda GG tem na mídia ainda é muito pequeno, se formos comparar com a chamada moda tradicional. Conquistar esse espaço é um processo demorado, mas aos poucos vamos poder notar a diferença.

Zuya: Você está entrando no mercado de moda plus size como modelo agora, o que te levou a tomar essa decisão? Você acha que tem mais mercado para modelos plus size no Brasil hoje em dia? Laryssa: Sempre sofri por ser gorda, não conseguia me aceitar, me amar…vivia de moletom e calça jeans ….decote??…nem pensar!!! Aí resolvi fazer faculdade de moda e comecei a prestar mais atenção nessa ditatura da magreza…se você é gordinha você é feia, não esta no padrão de beleza!! !! Que pra mim é um absurdo!! Porque não posso ser linda, admirável e interessante por estar uns quilos acima???…..até que comecei a questionar isso….se eu não me amasse… quem iria??? Acho que também o amadurecimento ajudou muito, nesse mesmo tempo comecei a pesquisar mais sobre o assunto, vi editoriais, conheci pessoas do meio e me interessei muito. Eu vejo que o mercado de modelos no Brasil esta bem maior do que antes….Vejo meninas lindas no mercado, lutando pra acabar com esse preconceito e super apoio! Acho muito importante estar com a saúde em ordem, faço periodicamente exames e sou super cuidadosa com este assunto, pra mim saúde vem em primeiro lugar!

Zuya: Como blogueira você acompanha de perto o mercado de moda plus size e muitas das marcas brasileiras, quais as mudanças que você tem notado no mercado e nas marcas nacionais? Glenda: Desde 2008, quando meu manequim aumentou consideravelmente, compro roupas de tamanhos maiores e sinto na pele a dificuldade de achar peças com caimento e modelagem que favoreçam meu biotipo. Percebo que as marcas nacionais tem investido mais em peças modernas e tem procurado se alinhar com as tendências da moda. Muitas marcas grandes e consolidadas tem apostado no segmento e lançado coleções plus size, mas a maioria tem numeração somente até o 50, eu por exemplo, uso 54. A entrada de fast fashion com coleções plus size faz com que as marcas nacionais saiam um pouco da zona de conforto e as força a ousar mais. Outra mudança é que o consumidor está mais exigente, não é mais escolhido pela roupa que servir, mas escolhe o modelo que o agrada. Já somos mais de 51% da população, o faturamento do setor ultrapassa os R$ 90 bilhões segundo a Abravest, e já era hora de se atentarem para essa demanda. Ainda assim, não é tão fácil encontrar vestidos de festa, de noiva, moda praia, fitness e roupas para gestantes curvilíneas.

Zuya: As marcas de moda plus size brasileiras tem aumentado nos últimos anos, como estilista, e como alguém que já morou fora do Brasil, do que você sente falta? Laryssa: Sinto muita falta da Moda fast fashion para este segmento. Morei na Europa por um tempo e fiquei chocada com a facilidade de encontrar roupas lindas e baratas!!! Existem algumas marcas de fast fashion no Brasil que estão investindo neste segmento,mas falta muito ainda!.. Eu quero uma roupa em que eu me sinta bem, que faça parte do meu estilo e não porque simplesmente serve!!! Sinto muita dificuldade de achar calça Jeans por exemplo, pois não tem uma padronagem. Se vou em uma loja a calça fica larga nas penas e outra loja fica apertado na cintura. É muito complicado isso.

Zuya: Atualmente, muitas marcas tem usado modelos que vestem 42, e até 40 nas campanhas e editoriais de moda plus size, o que você acha desse padrão? Adriana: Quem veste 40/42 não é plus size. Tanto é que quem se enquadra nesse manequim consegue encontrar roupas tranquilamente em praticamente qualquer loja, o que não acontece com quem veste acima de 44 ou 46. Acredito que taxar uma modelo que veste acima de 38 como plus size é uma forma de passar para as pessoas uma falsa sensação de que o mercado está se democratizando. Só porque a mulher não é excessivamente magra, como a moda tradicional exige, não significa que ela pode ser considerada plus size. Você acha que as mulheres que vestem 46/48 se sentem representadas ao verem editoriais de moda plus size que usam uma modelo magra? Claro que não. Se aceitarmos que uma mulher que veste 40 é plus size, o que são então as que vestem 48, 50?

Zuya: O que acha que as empresas, marcas e modelos que trabalham ou querem trabalhar com o segmento plus size devem fazer ter cada vez mais visibilidade e espaço no mercado de moda? Adriana: Bom como em todo segmento de mercado só se destaca quem se especializa no que faz, e para isso a melhor maneira é conhecerem melhor o que fazem e para quem os fazem. Empresas entenderem melhor seus clientes e criar mais relacionamento entre eles e sua marca, já para as modelos serem mais éticas e profissionais, respeitarem aquilo que elas chamam de profissão e para todos aqueles que contribuem informalmente para ele que neste caso somos nós Fotógrafos, Agencias e Blogs de Moda, para as empresas a dica é entenderem melhor seus clientes, e através disso um melhor relacionamento entre eles e seus produtos ou serviços. Para as Modelos, se profissionalizar e respeitar a profissão com o devido critério que a Moda tradicional que já nos é referência traz.

Zuya: Quais os aspectos você acha que o mercado plus size deve aprender da moda “tradicional” para aumentar a sua representatividade? E quais os pontos positivos da moda plus size que o mercado “tradicional” deveria se inspirar? Laryssa: Na minha visão pra começar a moda plus size precisa uma padronagem pra peça sem geral e por ultimo mas nem por isso menos importante falta o investimento de lojas físicas e em multimarcas também proporcionando um visual bonito e mais valorizado para cada tipo de corpo e de idade. Acho que a moda “tradicional” tinha que deixar de ser preconceituosa e valorizar quem queira vestir sua marca, mesmo sendo um manequim 36/38 ou 46/48, pensar que toda mundo pode ser linda, e se sentir valorizada!!

Zuya: Considerando que como uma tendência, essa nova visibilidade da moda plus size pode esfriar e perder força, o que você acha que poderia ser feito para desenvolver este mercado? E quais as suas expectativas para s próximos anos? Glenda: Eu acho que o que precisamos de mais urgente é as marcas aderirem a padronização do tamanho de roupas. Os estudos têm sido feitos pela ABNT e no primeiro semestre de 2015 já teremos as primeiras peças padronizadas para o público feminino. O padronização jáfoi feita para os públicos infantil e masculino e não é obrigatória, o que eu discordo. Sinceramente, não acredito que o movimento perderá forças, já que existe uma tendência mundial de aumento do peso da população. Apenas precisamos lutar para que haja a inclusão de modelos e marcas plus size nas principais semanas de moda, o que já vem acontecendo fora do Brasil. Acredito no crescimento e amadurecimento do mercado plus size no Brasil nos próximos 10 anos, na profissionalização das marcas e das modelos. Vamos torcer por coisas boas para os próximos anos: respeito, auto estima elevada, moda mais democrática e um trabalho conjunto para o resgate do amor próprio de muita gente que foi sempre muito bombardeada e influenciada por padrões e estereótipos.

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